Pai de santo quebra o silêncio, nega agressões e acusa tentativa de fechar terreiro em Araci

O pai de santo Luiz Nascimento dos Santos, conhecido como “Luiz Curador”, contestou as acusações de que teria utilizado ferro quente e charutos para queimar pessoas durante rituais religiosos em um terreiro de Araci, na região do Sisal. As denúncias vieram a público no fim de maio e envolvem relatos de supostas agressões físicas e condições inadequadas de permanência no local.
Segundo os relatos divulgados à época, quatro pessoas teriam denunciado episódios de queimaduras e outras supostas agressões durante rituais. As pessoas também afirmaram ter sido mantidas em quartos escuros por períodos prolongados, com acesso limitado a condições básicas de higiene. Algumas teriam passado por exames periciais por lesão corporal.
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Em entrevista concedida a pedido da defesa, o religioso negou as acusações e afirmou que o caso estaria relacionado a uma disputa interna envolvendo dirigentes de uma entidade ligada às religiões de matriz africana. “Isso nunca aconteceu. Pedimos para o pessoal da Polícia Civil ir no meu terreno tirar foto de tudo. Não foi constatado nada”, afirmou Luiz.
De acordo com o pai de santo, o conflito teria começado após divergências com integrantes da Federação de Cultos Afro-Brasileiros em Serrinha, entidade à qual afirma ser filiado há 39 anos. Ele disse que ocupava uma função na instituição e teria sido pressionado a assinar documentos relacionados à emissão de alvarás para pessoas que, segundo sua avaliação, não teriam formação ou iniciação religiosa suficiente para exercer determinadas funções.
Luiz afirmou que a recusa teria provocado uma reação de um integrante da entidade. Segundo ele, o presidente da organização, Michel Damasceno Barreto, teria dito: “Eu vou fazer de tudo para fechar o seu terreiro”.
O religioso também alegou que haveria cobrança de valores para a emissão de alvarás religiosos e afirmou que sua oposição ao procedimento teria agravado o conflito. Segundo ele, a discussão envolveria também o reconhecimento de pessoas como sacerdotes sem, em sua avaliação, formação religiosa adequada.
Acusações de queimaduras – Luiz negou especificamente ter amarrado, queimado ou mantido pessoas em cárcere privado no terreiro.

Ao ser questionado sobre os relatos de queimaduras, ele mencionou uma prática que chamou de “catulagem”, mas afirmou que o procedimento não seria realizado com ferro quente. “Não é com queimaduras. É com lâmina”, explicou.
O pai de santo também afirmou que imagens e relatos apresentados nas denúncias teriam sido retirados de contexto com o objetivo de prejudicá-lo.
Durante a entrevista, ele questionou ainda a relação das pessoas que fizeram as denúncias com o terreiro. Segundo Luiz, algumas delas teriam mantido uma relação antiga com o local e trabalhado em uma loja administrada por ele.
O religioso alegou ainda ter recebido informações de que essas pessoas teriam sido pagas para produzir vídeos contra ele.
Acusações contra dirigente – Luiz também fez acusações contra o dirigente que aponta como responsável pelo conflito. Entre as alegações, citou supostos registros de ocorrências policiais em diferentes municípios e questionou a atuação do dirigente em processos relacionados a outros terreiros.
Segundo o pai de santo, sua defesa jurídica está reunindo documentos e outras informações para apresentar sua versão dos fatos. Ele afirmou ainda que já foram registradas ocorrências policiais relacionadas à disputa e que outros pais de santo também teriam denunciado o dirigente.
O outro lado – As acusações divulgadas originalmente foram acompanhadas por relatos de supostas vítimas, algumas das quais teriam sido submetidas a exames periciais por lesão corporal.
Na ocasião, entidades ligadas às religiões de matriz africana também repudiaram as práticas denunciadas e afirmaram que agressões físicas não fazem parte dos rituais religiosos.








