Anuncio Cleriston Silva
Atualizado: 14-08-2026 | Tempo de leitura: 4 minutos

Pai de santo quebra o silêncio, nega agressões e acusa tentativa de fechar terreiro em Araci

Pai de santo quebra o silêncio, nega agressões e acusa tentativa de fechar terreiro em Araci

O pai de santo Luiz Nascimento dos Santos, conhecido como “Luiz Curador”, contestou as acusações de que teria utilizado ferro quente e charutos para queimar pessoas durante rituais religiosos em um terreiro de Araci, na região do Sisal. As denúncias vieram a público no fim de maio e envolvem relatos de supostas agressões físicas e condições inadequadas de permanência no local.

Segundo os relatos divulgados à época, quatro pessoas teriam denunciado episódios de queimaduras e outras supostas agressões durante rituais. As pessoas também afirmaram ter sido mantidas em quartos escuros por períodos prolongados, com acesso limitado a condições básicas de higiene. Algumas teriam passado por exames periciais por lesão corporal.

📲 Clique aqui para seguir o Portal Cleriston Silva no Instagram

Em entrevista concedida a pedido da defesa, o religioso negou as acusações e afirmou que o caso estaria relacionado a uma disputa interna envolvendo dirigentes de uma entidade ligada às religiões de matriz africana. “Isso nunca aconteceu. Pedimos para o pessoal da Polícia Civil ir no meu terreno tirar foto de tudo. Não foi constatado nada”, afirmou Luiz.

De acordo com o pai de santo, o conflito teria começado após divergências com integrantes da Federação de Cultos Afro-Brasileiros em Serrinha, entidade à qual afirma ser filiado há 39 anos. Ele disse que ocupava uma função na instituição e teria sido pressionado a assinar documentos relacionados à emissão de alvarás para pessoas que, segundo sua avaliação, não teriam formação ou iniciação religiosa suficiente para exercer determinadas funções.

Luiz afirmou que a recusa teria provocado uma reação de um integrante da entidade. Segundo ele, o presidente da organização, Michel Damasceno Barreto, teria dito: “Eu vou fazer de tudo para fechar o seu terreiro”.

O religioso também alegou que haveria cobrança de valores para a emissão de alvarás religiosos e afirmou que sua oposição ao procedimento teria agravado o conflito. Segundo ele, a discussão envolveria também o reconhecimento de pessoas como sacerdotes sem, em sua avaliação, formação religiosa adequada.

Acusações de queimaduras – Luiz negou especificamente ter amarrado, queimado ou mantido pessoas em cárcere privado no terreiro.

Pai de santo quebra o silêncio, nega agressões e acusa tentativa de fechar terreiro em Araci

Ao ser questionado sobre os relatos de queimaduras, ele mencionou uma prática que chamou de “catulagem”, mas afirmou que o procedimento não seria realizado com ferro quente. “Não é com queimaduras. É com lâmina”, explicou.

O pai de santo também afirmou que imagens e relatos apresentados nas denúncias teriam sido retirados de contexto com o objetivo de prejudicá-lo.

Durante a entrevista, ele questionou ainda a relação das pessoas que fizeram as denúncias com o terreiro. Segundo Luiz, algumas delas teriam mantido uma relação antiga com o local e trabalhado em uma loja administrada por ele.

O religioso alegou ainda ter recebido informações de que essas pessoas teriam sido pagas para produzir vídeos contra ele.

Acusações contra dirigente – Luiz também fez acusações contra o dirigente que aponta como responsável pelo conflito. Entre as alegações, citou supostos registros de ocorrências policiais em diferentes municípios e questionou a atuação do dirigente em processos relacionados a outros terreiros.

Segundo o pai de santo, sua defesa jurídica está reunindo documentos e outras informações para apresentar sua versão dos fatos. Ele afirmou ainda que já foram registradas ocorrências policiais relacionadas à disputa e que outros pais de santo também teriam denunciado o dirigente.

O outro lado – As acusações divulgadas originalmente foram acompanhadas por relatos de supostas vítimas, algumas das quais teriam sido submetidas a exames periciais por lesão corporal.

Na ocasião, entidades ligadas às religiões de matriz africana também repudiaram as práticas denunciadas e afirmaram que agressões físicas não fazem parte dos rituais religiosos.

Compartilha e divulga:
| Whatsapp

LEIA TAMBÉM