STF trava transferência de imóvel de R$ 10 milhões vendido por Jaques Wagner ao prefeito de Coité; entenda

O prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Passos de Araújo (União Brasil), aparece entre os envolvidos em uma negociação imobiliária que acabou sendo bloqueada por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da investigação que apura supostas irregularidades envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o Banco Master.
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Segundo informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, Marcelo Araújo adquiriu o apartamento onde o senador morava, localizado no Corredor da Vitória, um dos bairros mais valorizados de Salvador. O imóvel, com quatro suítes e 152 metros quadrados, foi negociado por R$ 10 milhões.
O pedido de registro da venda foi protocolado no 1º Ofício de Registro de Imóveis de Salvador em 10 de junho, antes da operação da Polícia Federal que teve Jaques Wagner como alvo. No entanto, antes da conclusão da transferência, o cartório recebeu uma ordem do ministro André Mendonça, do STF, determinando a indisponibilidade dos bens do senador, o que impediu a efetivação do negócio.
Apesar do bloqueio da escritura, o Estadão informa que Wagner já havia recebido integralmente os R$ 10 milhões pagos pelo prefeito de Conceição do Coité.
Marcelo Araújo confirmou a transação do apartamento e se declarou "terceiro de boa-fé". Ele enviou uma petição ao STF e aos cartórios pedindo a liberação dos imóveis, argumentando que os negócios foram firmados no final de 2025 e quitados em abril de 2026, antes da operação da PF vir a público. “Tenho um nome a zelar. Essa transação foi feita dentro da mais absoluta legalidade. Os pagamentos foram feitos diretamente na conta de Jaques Wagner”, afirmou o prefeito.
Além do apartamento, o senador também negociou um terreno de 51 mil metros quadrados na Região Metropolitana de Salvador por R$ 15,8 milhões. A propriedade seria transferida para uma empresa ligada ao Grupo City, controlador da SAF do Esporte Clube Bahia, mas o registro também foi impedido pela decisão judicial.
De acordo com a investigação da Polícia Federal, Jaques Wagner é suspeito de solicitar ao então sócio do Banco Master, Augusto Lima, a compra de um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões para sua filha, em Salvador. O senador nega irregularidades e tenta anular a operação no STF.
A operação faz parte da Compliance Zero, investigação que apura um suposto esquema de fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master. A ação já teve nove fases e resultou em prisões, bloqueios bilionários de bens e investigações contra empresários, ex-dirigentes de instituições financeiras e agentes públicos.
Após ser alvo da nona fase da operação, em junho deste ano, Jaques Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado e permanece como investigado no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal.







